Pediu justiça por mulheres, mas agora é ele quem ataca uma mulher: Sarah Lilian é alvo de ataques nas redes
A delegada Sarah Lilian, candidata a deputada federal pelo PSDB, vem sendo alvo de ataques nas redes sociais após orientar Emerson da Rocha, conhecido como “Rocca”, que a procurou para relatar uma suposta situação de assédio.
O que os ataques tentam ignorar é que Sarah está legalmente afastada das funções policiais para disputar as eleições e, portanto, não poderia praticar atos próprios do cargo. Ela explicou a situação e orientou o denunciante sobre os caminhos que deveria seguir para formalizar a denúncia. O próprio SINDEPOL/TO repudiou os ataques e considerou correta a conduta da delegada.
A contradição chama atenção: o mesmo homem que procurou ajuda para defender uma mulher agora usa as redes sociais para atacar, ofender e tentar descredibilizar outra mulher.
E não se trata apenas dos ataques recentes contra Sarah. Conforme relatos e publicações que circulam nas redes sociais, Emerson mantém um grupo de WhatsApp no qual mulheres seriam alvo frequente de comentários depreciativos sobre seus corpos, com termos como “Peppa”, “baleia”, “imensa”, entre outras expressões ofensivas e de cunho misógino. Há, inclusive, mulheres que já se manifestaram publicamente sobre essas supostas ofensas e registros de repúdio à postura adotada.
O contraste é impossível de ignorar: enquanto publicamente cobra respeito e justiça para mulheres, o mesmo cidadão é acusado de utilizar as redes para humilhar e atacar mulheres pela aparência, pelo corpo e por outras características pessoais.
E há outro ponto que merece atenção: ele é advogado. O Estatuto da Advocacia estabelece que o advogado deve manter conduta compatível com a dignidade da profissão e prevê como infração disciplinar, entre outras hipóteses, conduta incompatível com a advocacia e a prática de assédio moral, assédio sexual ou discriminação. (Palácio do Planalto)
Diante de fatos documentados, cabe às pessoas eventualmente ofendidas avaliar as medidas cabíveis e, se entenderem pertinente, apresentar representação à OAB, para que a instituição apure eventual infração ético-disciplinar. A representação não significa condenação prévia: cabe ao Tribunal de Ética e Disciplina analisar os fatos, assegurar o contraditório e a ampla defesa e decidir conforme as provas. (OABTO)
O episódio ganha ainda mais contexto diante do histórico policial de Emerson. Em fevereiro de 2025, ele foi preso em uma operação da Polícia Civil que apreendeu arma de fogo, munições, anabolizantes e pelo menos 14 pés de maconha. A ação contou com a atuação da DEAM, então comandada por Sarah. Segundo a Polícia Civil, ele foi autuado por crimes relacionados a tráfico de drogas e posse ilegal de arma.
Sarah possui anos de atuação na defesa e proteção de mulheres. Por isso, é preciso separar crítica legítima de ataque pessoal.
Ele pode denunciar, questionar e discordar. O que não pode é transformar uma orientação dada por uma delegada legalmente afastada em acusação de omissão e, a partir disso, promover uma sequência de ataques pessoais contra ela.
Se existem fatos, que sejam apresentados às autoridades. Se existem críticas, que sejam feitas com responsabilidade. O que não se pode admitir é usar a defesa das mulheres como discurso enquanto, do outro lado, mulheres são alvo de humilhações, ataques e comentários depreciativos.
No caso de Sarah, uma coisa é fato: ela estava afastada do cargo e cumpriu os limites legais impostos pela condição de candidata.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se