*O projeto que falhou: o plano que vem afundando Araguaína*
Araguaína ganhou um projeto que parecia exemplar no papel: planilhas caprichadas, marketing digital bem orquestrado, site da prefeitura com vídeos e gráficos e relatórios aprovados por auditoria independente — cinco anos seguidos, segundo a versão oficial. No terreno, porém, a realidade é outra: ruas que antes alagavam em pontos isolados hoje viram verdadeiras bacias; a marginal Neblina e bairros inteiros apresentam agravamento dos pontos de alagamento; casas e comércios inundam com qualquer pancada de chuva. Moradores vivem em pânico quando o céu escurece — há risco iminente à vida e prejuízos econômicos crescentes.
Como explicar o abismo entre a apresentação impecável e a execução calamita? Se a auditoria diz que tudo está “de acordo com os contratos” e os números batem, por que a drenagem não funciona? Possíveis hipóteses que exigem investigação imediata:
- Projeto mal dimensionado na etapa de execução (troca entre projeto e obra sem reavaliação técnica);
- Materiais e técnicas de obra abaixo do especificado;
- Fiscalização ineficiente ou inexistente em etapas críticas;
- Interferências urbanísticas posteriores (ocupações, entupimentos, ligações clandestinas) que não foram previstas;
- Falhas no manejo das bacias de detenção e no escoamento natural do córrego Neblina.
Enquanto isso, a prefeitura exibe relatórios aprovados e declara “transparência e correção” na aplicação dos recursos. Transparência não se restringe a demonstrativos contábeis: mede-se também por resultado prático — água que não invade casas, ruas transitáveis, segurança para moradores. Auditoria que celebra “procedimentos sem restrições” precisa responder por que as obras entregues pioraram — e não atenuaram — os riscos de inundação.
Demandas urgentes e legítimas dos araguainenses:
- Auditoria técnica independente e pública das obras concluídas e em operação, com perícia hidrológica;
- Suspensão de novas etapas até que se comprove a efetividade das soluções de drenagem;
- Abertura imediata de audiência pública com UGP, Secretaria de Infraestrutura, representantes da CAF, empresas executoras e moradores afetados;
- Plano emergencial de proteção às famílias de maior risco (transferência temporária, auxílio a comércios, contenção de danos);
- Revisão e responsabilização técnica por eventuais erros de projeto ou execução.
A exoneração de responsabilidades no papel não basta quando casas somem sob a água e vidas correm perigo. Araguaína merece mais do que relatórios bem escritos: precisa de obras que funcionem. É hora de transformar a estética do relatório em responsabilidade prática — e de quem assinou e aprovou cada etapa prestar contas à população.
Fonte/Créditos: Ana Ramos
Créditos (Imagem de capa): Internet/Site Prefeitura Municipal de Araguaína
